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Estranho Ofício
Era preciso abrir a casa, deixar a terra ser cultivada, amar a chuva e a tempestade, respirar o ar lentíssimo em dor, esquecer a marca da ferida e abraçar os braços do outro legitimamente. Nenhum cansaço é só seu. A tarde pode se fundir sobre todos os pensamentos. Escutam-se os rumores dos muros suspensos, das horas desconsoladas, dos mundos criados e desfeitos por crianças que acreditavam na esperança que vivia no instante dos pequenos acontecimentos. Que estranho ofício das
Sâmela Barreto


Só se Vive uma Vez
Havia mistérios demais no mundo, mistérios demais na cabeça do menino. Os minutos eram confusos e turvos, olhando nos olhos pequeninos de um gafanhoto. Existia uma solidão muito grande no alto da montanha e uma solidão muito grande em uma casa cheia de gente. Cada espaço pertencia ao inexplicável, e as estrelas refletiam no opaco da escuridão. No prazer existia a densidade, que se comprimia para o distante e insaciável silêncio. A passagem da vida como peças inajustadas, feit
Sâmela Barreto


Intervalo do coração habitado
O sol sobre a cidade, o mar, os barcos, o cais perpetuado. A vizinhança sem tempo a perder. A poesia à sombra dos ipês, o sol que desce à cidade como gotas incontáveis de orvalho. Não preciso de mais nada no intervalo do coração habitado.
Sâmela Barreto


Foi Quando Nasci
Nasci na cidade junto ao dia que acontecia antes de mim e de você. Nasci com os anéis prateados a camisa de algodão, os trilhos do trem mesmo que distantes. Nasci com a vida do que era vivo antes do dia era a noite, foi quando nasci saí do tecido para uma luz branca e olhei nos olhos de meu criador.
Sâmela Barreto
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